O FMEA que vira peso de papel
Poucas ferramentas são tão respeitadas na teoria e tão mal aplicadas na prática quanto o FMEA (Failure Mode and Effects Analysis). Em muitas empresas, ele existe porque algum cliente ou auditoria exige, é preenchido uma vez, arquivado e nunca mais revisitado. O resultado é uma planilha extensa, cheia de números de severidade, ocorrência e detecção, que não influencia nenhuma decisão real de engenharia ou de chão de fábrica.
O problema raramente está no conceito. Está na forma como as equipes conduzem o exercício. A seguir, os erros mais recorrentes e como evitá-los.
Erro 1: Fazer o FMEA sozinho, na mesa
É comum que um engenheiro de qualidade ou processo monte o FMEA isoladamente, depois envie por e-mail para aprovação. Isso elimina o principal valor da ferramenta: o conhecimento coletivo de quem opera, mantém e monta o produto ou processo. Um operador experiente sabe detalhes de falha que nenhum engenheiro vai lembrar sozinho. O FMEA deveria ser construído em uma sala, com representantes de processo, qualidade, manutenção e, quando possível, operação — nunca como tarefa solitária.
Erro 2: Confundir severidade alta com prioridade automática
Muitas equipes travam na discussão de qual nota dar para severidade, ocorrência e detecção, como se o número final (o NPR, número de prioridade de risco) fosse o único critério de ação. Isso gera duas distorções: itens de severidade altíssima, mas ocorrência baixíssima, ficam sem ação porque o NPR